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16 de junho de 2009

Artistas Mineiros

 

Ao contrário do que muitos pensam, Minas Gerais não era conhecida só como pólo econômico, mas também como centro de idéias artísticas e intelectuais, o que a deixou ainda mais rica em cultura.

  Para entender por completo a grandeza cultural de Minas, é necessário saber pelo menos o básico dos principais artistas mineiros, que fizeram histórias com seus trabalhos acima do comum.

 

 

CLAUDIO MANUEL DA COSTA

 

Escritor nascido em Mariana em 1729, foi o introdutor do Arcadismo no Brasil. Era um rico advogado e se estabeleceu em Vila Rica (futura Ouro Preto) com mais outros pensantes. Estudou em Coimbra, onde testemunhou a fundação da Arcádia Lusitana e teve contato com as idéias iluministas. Escrevia sob o pseudônimo  de Glauceste Satúrnio, nome de um pastor grego.

Claudio Manuel foi um poeta de transição: por ter tido ligações com a tradição clássica, era a que melhor representava o arcadismo europeu, mas seus poemas ainda apresentavam inegáveis características barrocas.

  Tinha uma musa, Nice, que era fictícia e incorpórea, apenas presente para protagonizar o sofrimento de seu criador.

 

 

Temei, Penhas…

Destes penhascos fez a natureza
O berço em que nasci: oh! quem cuidara
Que entre penhas tão duras se criara
Uma alma terna, um peito sem dureza!

Amor, que vence os tigres, por empresa
Tomou logo render-me; ele declara
Contra meu coração guerra tão rara
Que não me foi bastante a fortaleza.

Por mais que eu mesmo conhecesse o dano
A que dava ocasião minha brandura,
Nunca pude fugir ao cego engano;

Vós que ostentais a condição mais dura,
Temei, penhas, temei: que Amor tirano
Onde há mais resistência mais se apura.

 

Neste poema podemos perceber as marcas árcades, falando de natureza, somada a características como o paradoxo barroco.

 

 

TOMAS ANTONIO GONZAGA

 

Tomás Antonio Gonzaga, também um poeta inconfidente, nascido no Porto e formado advogado em Coimbra, onde, como Claudio Manuel da Costa, teve contato com os pensamentos iluministas e árcades. Era ouvidor em Vila Rica, e fez parte do movimento da Inconfidência. Quando preso e deportado, deixou aqui seu amor, Maria Dorotéia de Seixas, a Marília de Dirceu, musa de seus poemas. Ela morreu solteira em Vila Rica, aos 86 anos, ainda esperando o seu amor, que se casou com uma rica herdeira Juliana Mascarenhas em Moçambique, local de seu exílio.

  Tomás Antonio Gonzaga escrevia tanto poemas líricos quanto satíricos. Os satíricos, conhecidos como Cartas Chilenas, eram escritos sob o pseudônimo de Critilo, um suposto chileno que escrevia em castelhano para seu amigo Doroteu (Claudio Manuel da Costa) criticando as figuras de Ouro Preto como se falasse de sua cidade no Chile.

  Nas poesias líricas, Tomás Antonio Gonzaga foi inovador. Ele conseguiu sair do Arcadismo para dar os primeiros passos em direção ao Romantismo, ao abandonar o amor platônico característico do arcadismo e retratar sua amada como próxima e real, transformando as poesias mais subjetivas, espontâneas e emotivas.

 

 

Não cuides, Doroteu, que vou contar-te
por verdadeira história uma novela
da classe das patranhas, que nos contam
verbosos navegantes, que já deram
ao globo deste mundo volta inteira.
Uma velha madrasta me persiga,
uma mulher zelosa me atormente
e tenha um bando de gatunos filhos,
que um
chavo não me deixem, se este chefe
não fez ainda mais do que eu refiro.

Fragmento da 1ª carta Chilena

 

 

SILVA ALVARENGA

 

 

Silva Alvarenga nasceu em Vila Rica em 1749, e como os demais poetas citados, estudou em Coimbra: Matemática e Direito Canônico.

  Era músico, mas não seguiu carreira por proibição do pai. Em Vila Rica, participou da Colônia Ultramarina,  prolongamento da Arcádia Romana em Minas, sob o pseudônimo de Alcinto Palminero, outro pastor grego.

  Colaborou com O Patriota, a primeira revista cultural impressa no Brasil, e foi preso por conspiração contra o governo na época em que foi secretário da Sociedade Literária, mas foi solto 3 anos depois.

   Foi um dos principais poetas árcades do Brasil, caracterizado por mostrar a transição entre o espírito bajulador adotado pela maior parte da colônia para o espírito revolucionário e averso aos poderosos de Portugal.

 

 

 

Madrigal III [Voai, suspiros tristes;]

Voai, suspiros tristes;
Dizei à bela
Glaura o que eu padeço,
Dizei o que em mim vistes,
Que choro, que me abraso, que esmoreço.
Levai em roxas flores convertidos
Lagrimosos gemidos que me ouvistes:
Voai, suspiros tristes;
Levai minha saudade;
E, se amor ou piedade vos mereço,
Dizei à bela
Glaura o que eu padeço.

 

 

MANUEL DA COSTA ATAÍDE

  

Manuel da Costa Ataíde foi o principal pintor do barroco brasileiro, conhecido por trabalhar com o mestre aleijadinho.

  Nascido em 18/10/1762, ninguém sabe ao certo quando Ataíde começou a pintar. Sua primeira obra conhecida é a encarnação de duas imagens de Cristo para a igreja Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas.

  Seu trabalho mais conhecido é a pintura do teto da Igreja de São Francisco de Assis, projetada por Aleijadinho, e levou mais de 12 anos para ser concluído. Nele foi empregada a técnica arquitetônica ilusionista com tridimensionalidade. A representação mulata de Nossa Senhora e dos querubins mostra o lado revolucionário de Ataíde.

 

 

 

 

 

ALEIJADINHO

 

Antônio Francisco Lisboa, conhecido como Aleijadinho, é com certeza uma das principais figuras do barroco brasileiro. Filho de um arquiteto português e de uma escrava, Aleijadinho teve a sorte de nascer durante um período rico em Ouro Preto, em 1730.

  Porém, na sua adolescência veio a crise, e Aleijadinho começou a ajudar o pai e o tio em seus trabalhos. Aos 25 anos explodiu como escultor, e seus trabalhos passaram a ser requisitados por diversas irmandades.

  Aleijadinho conseguiu se esquivar da crise com maestria, ousando no uso de materiais e ornamentações, criando leveza e inovação.

  Uma das possíveis razões do esforço de Aleijadinho em ser o melhor pode ser o fato de ser mulato. O mulato na época colonial era encarado com grande preconceito não só pelos brancos, que os consideravam filhos da promiscuidade, mas também por negros, que os viam como símbolo da submissão. Ao passar por tal preconceito, Aleijadinho tentou se sobressair nas artes para não passar desapercebido e vencer o preconceito.

  Contudo, a genialidade de Aleijadinho foi provada quando o artesão e arquiteto desenvolveu uma doença que lhe rendeu o apelido. A doença ainda é desconhecida, mas há fortes indícios que Aleijadinho sofria de uma artrose tão terrível que decepava seus dedos tentando reduzir a dor. Sem pés e sem mãos, ele não desistiu e continuou a trabalhar. Era levado por seus escravos até a oficina, onde seus seguidores e alunos amarravam as ferramentas em seus pulsos e o deixavam trabalhar freneticamente.

  Os trabalhos de Aleijadinho são caracterizados pelas cabeças arredondadas dos querubins, os cabelos em movimento, olhos expressivos, mãos e pés desproporcionalmente grandes (provavelmente para representar o que lhe faltava) e faces encovadas, com pele caindo e permitindo ver os ossos.

  Aleijadinho morreu em 18/11/1914, aos 84 anos, preso ao seu leito, paralítico e quase cego. Após a sua morte, Aleijadinho caiu em esquecimento, e só foi reconhecido como mestre do barroco brasileiro na Semana de Arte Moderna, em 1922.

criado por omelhordemg    19:00 — Arquivado em: Sem categoria

1 Comentário »

  1. Comentário por shalasaki — 12 de maio de 2014 @ 8:18

    siento muinto

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